Correio Coreano

Comentando o que acontece na Coreia

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Febre aftosa e gripe aviária se espalham pela Coreia do Sul

A Coreia do Sul vem sofrendo nos últimos dias com o rápido avanço da febre aftosa, o que já levou o país a sacrificar mais de um milhão de bois e porcos, cerca de 8 por cento do total criado no país. O governo, que agora parece estar finalmente tomando medidas drásticas para evitar uma crise ainda maior no setor (que também pode levar a uma alta da inflação dos alimentos), sem dúvida demorou para agir. A febre aftosa já vinha dando sinais de força pelo país no início do ano passado (veja o vídeo da Al Jazeera aqui, em inglês), mas foi tratada como um problema local.

(foto: PressTV)

A doença pode também aumentar a insatisfação do setor agro-pecuário com governo do presidente Lee, que pretende gradualmente reduzir as tarifas para o comércio de carne bovina (a polêmica!) e suína com o possível acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

Como se não fosse o bastante para os produtores sul-coreanos, desde o mês passado o país tem também sofrido com a volta da gripe aviária, o que já causou o abate de 100 mil frangos e 10 mil patos. O que beneficia o Brasil, um dos principais exportadores de carne de frango para a Coreia do Sul.

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Ministério da Unificação vai transmitir programas pela internet

O Ministério da Unificação vai começar a transmitir programas na internet e em canais de TV em 2011, divulgando as atividades relacionadas à Coreia do Norte. De acordo com a agência Yonhap, “o projeto tem como objetivo ajudar o público a melhor entender a questão da unificação e está sob uma meta do ministério neste ano de preparar para reunificar as duas Coreias.”

Acredito que programas sobre a Coreia do Norte em momentos de não-confrontação são importantes para que o povo sul-coreano - que geralmente se interessa pouquíssimo pelas questões do vizinho do Norte, a menos que interfiram diretamente em suas próprias vidas - passe a discutir mais ativamente sobre os problemas atuais e os caminhos para a paz.

Mas a retórica recente de que a reunificação vai acontecer a qualquer momento é simples demagogia (ou loucura), já que a Coreia do Sul ainda não tem capacidade de absorver os mais de 20 milhões de norte-coreanos.

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Comer bem agora é “dever revolucionário” na Coreia do Norte

Na Coreia do Norte, no primeiro dia de todo ano o governo publica o “Editorial Comum de Ano Novo”. É um pronunciamento conjunto do governo, das organizações governamentais e do Partido dos Trabalhadores, no qual se estabelecem metas para o ano que se inicia. Mas quase sempre tais metas são vagas, como “trabalhar pela felicidade do povo”.

E, de acordo com fontes do Daily NK e refugiados que vivem na Coreia do Sul, acaba sobrando é para os próprios trabalhadores norte-coreanos. Do dia 3 ao dia 20, aproximadamente, o governo envia grupos para os locais de trabalho de todo o país para dar palestras sobre o Editorial Comum do ano que se inicia. E todos devem memorizar os pontos principais, pois no final uma prova é aplicada, e aqueles que não passarem serão observados com mais atenção durante o restante do ano.

Ainda segundo o Daily NK, uma frase de um secretário do Partido, durante uma palestra numa empresa da Província de Yangkang, causou grande espanto: “Comer e viver bem são os primeiros deveres revolucionários dos revolucionários”. O motivo do espanto é que a frase é uma alusão a uma outra, muito famosa, do fundador da República Democrática Popular da Coreia (Coreia do Norte), Kim Il-sung, que dizia: “Estudar é o primeiro dever revolucionário dos revolucionários”.

Aparentemente, esse seria um reconhecimento do fracasso do governo de Kim Jong-il em alimentar seu povo. Mas foi então que um trabalhador se levantou e completou: “Exatamente! Comam bem, e vamos juntos derrotar os americanos e construir um estado forte e próspero!”

É difícil, no entanto, medir o nível de apoio popular ao regime num país onde, além das rígidas regras culturais influenciadas pelo Confucionismo, que ensinam a submissão às autoridades, há também a repressão pelo próprio regime. Refugiados que vivem no Sul dizem que a maioria discorda, se não da ideologia socialista, ao menos dos métodos usados pelo governo norte-coreano. E, ainda assim, fazem demonstrações de apoio explícito no intuito de conseguir promoções no emprego e na sociedade para, possivelmente, tornarem-se parte da elite que vive em Pyongyang.

Por isso, ao final das palestras sobre o Editorial Comum, as autoridades afirmam que “todo o povo de Chosun está unido em torno do Partido” (“Chosun” (조선) é o nome do mais famoso rei coreano do passado, e também como os norte-coreanos chamam a Coreia - dividida em Chosun do Norte e Chosun do Sul).

Mas para os trabalhadores, ter que ouvir palestras e ainda fazer provas sobre o assunto logo no início do ano, é mais um motivo de descontentamento, principalmente para os que mais sofrem com o frio congelante do inverno norte-coreano, sem aquecedor em casa.

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O difícil caminho para o partido de Lee eleger um presidente (ou presidenta) em 2012

Membros do GNP (foto: The Hankyoreh)

Parlamentares do “Grande Partido Nacional” (GNP), o partido conservador sul-coreano do qual o presidente Lee Myung-bak é membro, ensaiam tentativas de aprovar uma emenda à Constituição que muda o período do mandato presidencial. Atualmente, o presidente é eleito para um período único de 5 anos, sem reeleição, mas a proposta visa abrir a possibilidade da reeleição e a redução de cada mandato para 4 anos, como acontece nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo.

No entanto, os próprios membros do partido estão divididos quanto ao momento da proposta. Tentativas de emendas constitucionais controversas no passado afetaram diretamente a popularidade do presidente, o que seria arriscado no momento, visto que as próximas eleições estão previstas para acontecerem em 2012. De acordo com o jornal The Hangyoreh, Hong Joon-pyo, membro do Conselho Supremo do GNP, afirmou ser totalmente contra a proposta neste momento.

"Um presidente em final de mandato não tem poder para aprovar uma emenda constitucional" (…) "Se discutirmos a emenda à Constituição agora, será como a situação da emenda para o Plano de Desenvolvimento da Cidade de Sejong", disse Hong. "Tudo o que ela fará será manchar o prestígio e a imagem do presidente."

Na política brasileira, pelo menos, a afirmação não faz tanto sentido, já que Fernando Henrique conseguiu a aprovação da emenda que permitia a reeleição pouco mais de um ano antes do término do seu mandato. No caso coreano, o partidários do presidente têm andado em ovos, tentando construir a imagem de Park Geun-hye, filha do aclamado ditador Park Chung-hee (conhecido como o presidente que alavancou o desenvolvimento da Coreia do Sul), como uma possível candidata do partido em 2012. Apesar da recente e moderada recuperação nos índices de popularidade de Lee Myung-bak, para os políticos todo cuidado é pouco.

Presidente Lee e Park Geun-hye (foto: JoongAng Daily)

Quanto ao Plano de Desenvolvimento da Cidade de Sejong, mencionado por Hong, ele é parte da ideia de que se deve mudar a capital sul-coreana para Sejong, próxima de Daejeong, na região central, um local geograficamente mais seguro e que dispersaria mais a população do país. Mas como metade da população do país vive na região metropolitana de Seul, a investida do presidente lhe rendeu oposição visceral.

Agora resta saber como agirão os parlamentares do GNP em 2011, já que aparentemente não permitirão que Lee faça manobras muito arriscadas, mas ao mesmo tempo precisam manter sua aprovação acima dos 50% e convencer seu eleitorado de que este é o momento para se eleger uma mulher como presidente do país.

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Samsung ganha mais uma disputa e vai fornecer as telas para o iPad 2

País que tem a indústria atuando em praticamente todos setores da cadeia de valor ganha de um jeito ou de outro. É assim na Coreia do Sul. A Samsung acaba de conseguir mais um contrato de 500 milhões de dólares com a Apple, pelo qual vai fornecer 8 milhões de telas LCD para a produção do iPad 2, cujo lançamento é esperado por volta de abril deste ano.

O interessante é que a Samsung é também a empresa que melhor desafiou o iPhone com seu Galaxy S. E agora segue desafiando o próprio iPad com o Galaxy Tab. No final das contas, a Samsung sempre ganha de alguma forma, seja no fornecimento de telas LCD para a Apple, seja na venda do seu próprio tablet. Obviamente, a última opção é a mais desejada, já que agrega mais valor e gera mais empregos na empresa, mas num meio competitivo e imprevisível como o de eletrônicos, garantir sua presença nos diversos estágios de produção é sem dúvida uma grande vantagem.

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Paraguai deve continuar recebendo ajuda oficial sul-coreana

O Primeiro-Ministro sul-coreano, Kim Hwang-sik, aproveitando a viagem para a posse da presidente Dilma, encontrou-se ontem com líderes paraguaios para discutir maneiras de expandir a cooperação entre a Coreia do Sul e o Paraguai. O país tem sido um dos maiores beneficiados pela Agência de Cooperação Internacional Coreana (KOICA) na América Latina. Os investimentos tiveram início em 1999, e em 2008 atingiram 78 milhões de dólares em projetos não só no Paraguai, mas também no Peru, Equador, Guatemala e El Salvador.

A ajuda sul-coreana, muito bem-vinda em áreas como saúde e educação, pode ser também vista como uma estratégia de formação de parceiros preferenciais no continente, e até mesmo uma tentativa de inserção de produtos e empresas coreanas nos serviços públicos dos países. A maior parte do dinheiro enviado aos países acima, por exemplo, tiveram como destino projetos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (mais de 27 por cento), e, obviamente, com fornecimento exclusivo das empresas coreanas.

A KOICA tem aumentado sua participação no cenário internacional ano após ano, e em 2009 a Coreia do Sul ingressou no DAC (Comitê de Assistência para o Desenvolvimento) da OCDE. O presidente Lee já anunciou que o percentual de ajuda oficial da Coreia do Sul em relação ao PIB continuará subindo para superar a média dos países da OCDE até 2015. No entanto, a KOICA segue um caminho similar ao da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID), que recebeu críticas no passado por dar exclusividade aos fornecedores americanos mesmo nos casos de ajuda mais críticos.

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Brasil e Coreia do Sul: um possível acordo de livre comércio?

Em uma breve nota, a agência Yonhap disse que o Primeiro-Ministro sul-coreano Kim Hwang-sik e a presidente Dilma Rousseff teriam conversado sobre um possível acordo de livre comércio entre os países, além da construção da linha do trem-bala Rio-SP.

Esta pode ser mais uma investida da Coreia do Sul na busca de parceiros preferenciais. Nos últimos anos, essa tem sido a estratégia sul-coreana para a expansão de exportações. Além das discussões sobre acordos com os Estados Unidos, a União Europeia e, em estágio menos avançado, a China, a Coreia do Sul tem buscado parcerias com diversos países da América Latina. Em 2004 assinou um acordo de livre comércio com o Chile e recentemente com o Peru. Os coreanos esperam ainda fechar acordos com o Panamá e a Colômbia, e já andam de olho no Mercosul.

O Brasil, por outro lado, tem deixado a desejar na busca de parceiros comerciais preferenciais, dependendo demasiadamente da demanda chinesa. O único acordo assinado nos últimos anos foi entre o Mercosul e Israel. Com a Coreia do Sul as negociações seriam ainda mais complicadas, dada a agressiva política industrial do país e o fato de que o acordo precisaria de uma ampla discussão não só no Brasil, mas também nos outros países-membros do Mercosul.

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Menos fumantes

(foto)

Qualquer um que chegar à Coreia vai notar que fumar ainda é um hábito muito comum por aqui. Dentro ou fora dos estabelecimentos, há fumantes por toda a parte. Geralmente são homens, devido à imagem mais negativa que se atribui à mulher que fuma, fazendo com que muitas das que fumam, não o façam em público.

Mas segundo o Ministério da Saúde, o número de fumantes sul-coreanos caiu no ano que passou. A taxa entre pessoas com mais de 19 anos (idade coreana) caiu de 43,1 por cento em 2009 para 39,6 em 2010. O número é ainda muito alto, comparado à média dos países da OCDE, mas reflete uma tendência positiva, talvez devido aos esforços de banir o fumo em vários locais de Seul por conta da reunião do G20 em novembro passado. E interessante é que o governo começou banindo o fumo do lado de fora (não em todos os lugares), ao contrário do que fez países como a Inglaterra, que baniu o fumo do lado dentro, para proteger os chamados fumantes passivos.

Resta saber se a política de redução do fumo na Coreia do Sul é consistente ou era só mais um esforço para não fazer feio na promoção da imagem do país em 2010. Afinal, grande parte do orçamento para a educação no país vem de impostos sobre o cigarro, medida que, segundo alguns, cria uma dependência da receita na indústria do tabaco. E como o sistema de saúde não é público e universal, os males causados pelo cigarro não são pagos pelo governo.

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Hoteis usam carne americana com rótulo sul-coreano

suspeitas de que hoteis de luxo na Coreia do Sul estejam oferecendo pratos com carne bovina dos EUA, porém com rótulo de “carne nacional”. A carne sul-coreana, apesar de ser significativamente mais cara que a americana é vista como mais segura e saudável no país.

Em 2008, Lee Myung-bak - um presidente que, diferentemente de seus dois antecessores, tem procurado intensificar a aliança da Coreia do Sul com os Estados Unidos - liberou a importação de carne bovina americana. A medida desencadeou protestos por todo o país, pois os sul-coreanos acreditam que a carne bovina dos EUA não segue procedimentos sanitários adequados na criação do gado, no abate e na prevenção da doença da vaca louca.

Desde então, numa tentativa de não desagradar seu maior aliado militar sem piorar seus índices de popularidade entre os eleitores sul-coreanos, o presidente decidiu que todos os estabelecimentos deveriam mostrar claramente a origem da carne, para que a escolha final fosse do consumidor.

O resultado é que até o momento os maiores beneficiários da rejeição da carne americana têm sido os produtores australianos, cujas práticas atendem às exigências coreanas com preços mais competitivos que os da carne nacional.

Protesto em Seul, em 2008, contra a importação da carne bovina americana

Protesto de 2008, em Seul (Foto)

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Coreia do Norte envia fax de Feliz Ano Novo para sul-coreanos

O governo norte-coreano enviou hoje mensagens via fax para os sul-coreanos, desejando um feliz ano novo. As mensagens chegaram a diversas empresas e governos locais, como a prefeitura de Incheon e a província Gangwon, próximos da fronteira. A prática não é nova: desde 2001 a Coreia do Norte faz isso, mas no governo de Lee Myung-bak, que mantém uma linha dura contra o vizinho, as mensagens se tornaram mais comuns. O objetivo, claro, é instigar líderes locais a se voltarem contra o governo da Coreia do Sul e atrair simpatizantes para o regime do norte.

Neste momento de virada de ano, as perspectivas das relações Norte-Sul não são claras. A Coreia do Sul, depois de realizar vários exercícios conjuntos com os Estados Unidos na fronteira com o Norte, em resposta aos ataques à ilha da Yeonpyeong em novembro, anunciou recentemente seu plano para as relações inter-coreanas para 2011. Seul pretende pressionar a Coreia do Norte para retomar o diálogo, abandonar seu programa nuclear, e buscar apoio global para uma reunificação pacífica das duas Coreias.

O anúncio do plano, no entanto, parece andar desafinado com as previsões de especialistas em assuntos norte-coreanos. Muitos acreditam que Pyongyang continuará com seu seu tom provocativo no próximo ano, a fim de legitimar a posição de liderança do jovem futuro líder Kim Jong-eun como general das forças armadas.

Esperamos que em 2011 os fac-símiles dos dois lados cheguem ao destino certo, com mensagens mais otimistas.

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